quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

o meu banco é melhor do que o teu

Li aqui, e gostei.

A força da Economia não cessa de me impressionar. Fascinante. O sistema bancário da Nigéria, assim como muitos outros sistemas (energia, água, correios) é totalmente deficiente. Não há dependências bancárias (quanto mais ATM’s!) a servir as populações fora dos grandes centros e também não existem infra-estruturas de SI/TI que permitam às empresas fazer débitos directos.
Assim, 99% dos clientes das Telefónicas são pré-pagos. E como é que eles pré-pagam? Compram uns vouchers que são umas raspadinhas: o cliente paga, por exemplo, 20€ pela raspadinha, raspa e vê um código que depois envia por SMS para um certo número. A partir daí é automático: a sua conta é creditada com 20€ e ele pode realizar chamadas.
O engraçado é que este sistema, montado pelos operadores de telefones móveis, substitui o sistema bancário que não existe. Quando as pessoas querem transferir dinheiro para distâncias longínquas, o que fazem é comprar uma série destes vouchers. Raspam e enviam os códigos por SMS para a pessoa que há-de receber o dinheiro, nalgum sítio remoto. Esta pessoa, na posse dos códigos, dirige-se ao telefone público daquela povoação. Não se confundam: o telefone público, nestes casos, é um tipo, numa esquina, debaixo de um chapéu-de-sol, com três ou quatro telemóveis, que cobra um tanto por deixar fazer uma chamada (as pessoas, em geral, não têm capacidade para adquirir o seu próprio telemóvel).
Então o que sucede é que as pessoas, na posse dos códigos dos vouchers, vão ter com um fulano destes e vendem-lhes os códigos. O tipo compra códigos no valor de 200€ por apenas 180€, por exemplo, e toda a gente fica a ganhar.

terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Curtas

- Mãe, um jardim é muito pesado.
- ...
- Um jardim, mãe. Há a tonelada, o quilograma e o jardim.
- O quintal, tonta (gargalhada) !
- Ah, sim, pois.
(e eu a querer ajudar e sem me lembrar quantos quilos tem um quintal, só me lembrava do quarteirão...)

Ao jantar estávamos em animada conversa sobre a escola, mesmo a rir. A besnica estva fora da conversa. Comecei a controlá-la pelo canto do olho. Olhava à volta, sem apanhar a conversa. Às tantas sai da mesa, vai buscar o livro que a educadora lhe tinha emprestado e começa a chamar: 'Óia, óia esta históia.'
Na verdade ninguém lhe ligou muita importância e eu continuei a topá-la. Acabou por ir pôr o livro no lugar, voltar para a mesa e tentar entrar na conversa geral, que entretanto já tinha mudado para outro assunto qualquer que ela já entendia.
Quando finalmente se conseguiu rir ao mesmo tempo que nós e da mesma coisa que nós a sua gargalhada foi a mais forte e sentida de todas.

Adenda: e já agora uma arroba, também se me varreu...

Adenda 1: Qual coitadinha! 90% das vezes é ela o centro das atenções, nossas e das irmãs, que se derretem todas 'mãe ela é tãooo fofinha'. Faz de todos gato-sapato (avós, tios, primos, padrinhos incluídos). E nós gostamos e deixamos. Só que as mais velhas também têm os seus momentos.

segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Inverno?

Não me lembro de termos (re)começado os almoços de fim de semana em Janeiro. Ontem parecia um verdadeiro dia de Primavera e nós os verdadeiros ciganos com bicicletas, triciclo, corda de saltar, bola... A verdade é que foi desde o meio dia até às 4h. Com mais amigos éramos 4 progenitores e 7 crianças. Também treparam às árvores, e quiseram ir até ao parque infantil.
Mas verdade, verdadinha, só se está mesmo bem p'raí até às 14h. A partir dessa hora é tanta gente que nós passamos mais tempo a ver se os vemos do outro lado do relvado do que a gozar o sol a beberricar um café.
Depois de chegarmos a casa foram 'brincar às viagens' (seja isso lá o que for) e pediram pipocas para lanchar no quarto. Concordei até porque tinha levado trabalho para casa e convinha-me ficar sossegada. Negociámos que às 18:45h arrumariam tudo para se prepararem para os banhos.
Para meu grande espanto, cumpriram tudo à risca. Normalmente chego ao quarto e desato aos berros perante a diferença abismal entre o meu conceito de arrumado e o delas.

sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Veredicto

V
Elefante
(tema da sala 'A Natureza: os animais')

C
Vendedora de flores
F
Fadista
(tema da escola: profissões antigas)

Já comprei papel crepe cinzento, um ramo de malmequeres de pano e um xaile de renda preto. O resto deve haver lá em caso no baú dos teatros (saias, saiotes, aventais, lenços de cabeça, etc.)
Só ainda não sei como é que vou engendrar a tromba do elefante...
Eu refilo, refilo, mas no final acabo por achar graça aos temas e ao facto de serem fatos feitos em casa e em cuja elaboração as miúdas participam.
(se bem que se fossem rapazes iam de ardinas e era bem mais fácil...)

quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

2008, Ano Internacional da Batata

Pois é, caso não saiba estamos já em pleno Ano Internacional da Batata, por resolução da Organização das Nações Unidas.
O objectivo é despertar consciências para a importância da batata na alimentação e promover a sua produção.
No site www.potato2008.org encontrará muitas curiosidades sobre a batata e poderá, inclusive, aprender a plantar os seus próprios tubérculos.

(recebido por mail)

segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Já há sinais. Já vários (e algumas várias) bem pertinho de mim lá chegaram. O pai pinguim já é veterano. Mas foi no Sábado, dia dos 40 anos de uma das minhas amigas mais próximas do coração e fisicamente longe, que bateu. Estão já aí ao virar da esquina. A bem dizer é só para o ano, mas entrei definitivamente em contagem decrescente.

quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

O Gato é que sabe

Num momento de cabeleireiro, entre barulho de secadores e animadas conversas, a fazer completamente jus à fama, li:

Presidir à Caixa Geral de Depósitos, meus amigos, não é um reles tacho. Presidir à Caixa Geral de Depósitos é a Bimby.

aqui

Glup

Eu sou uma mãe descontraída, descomplicada, cool. Mas, confesso, estou com um aperto no estômago que acho que só vai passar no Sábado ao fim do dia.
A F tem uma festa de anos num circuito de karts. Vai de boleia com os pais de uma amiga (eu vou estar a trabalhar no Sábado e o pai tem mais festas onde levar as mais novas). Como não vai estar acompanhada por um dos pais é necessário assinar um termo de responsabilidade e cópia do BI.

Foi a linguagem desse papel, que fala em responsabilidades e seguros e coberturas de seguros e valores de prémios que me fez engolir em seco...

quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Na mesinha de cabeceira

Sinopse

Em 1990, Richard Zimler descobriu numa cave de Istambul sete manuscritos do século dezasseis escritos por um cabalista chamado Berequias Zarco. Um deles narrava o pogrom de Lisboa em 1506 e a recriação dessa narrativa por Zimler resultou no best-seller internacional O Último Cabalista de Lisboa. Mas, o que revelavam os outros seis manuscritos?
Em Berlim, na década de Trinta, o descendente de Berequias Zarco, Isaac Zarco, está determinado a descobri-lo. Está convencido que o pacto entre Hitler e Estaline – para além de outros «sinais» - anuncia que uma profecia apocalíptica feita pelo seu antepassado está prestes a concretizar-se. Acredita também que, se conseguir descodificar esses textos cabalísticos medievais, pode salvar o mundo.
Passado durante a subida ao poder de Hitler e a guerra que os nazis moveram contra os deficientes, A Sétima Porta junta Sophie Riedesel - uma jovem espirituosa, artística e sexualmente ousada – com um grupo clandestino de activistas judeus e antigos fenómenos de circo liderados por Isaac Zarco. Quando uma série de esterilizações forçadas, estranhos crimes e deportações para campos de concentração dizimam o grupo, Sophie, agora já adulta, tem de lutar com todo o seu engenho para salvar tudo o que ama na Alemanha – a qualquer preço.

(sabes que o site recomenda o Rio a quem compra este?)

Curtas

Estávamos nós a fazer uma revisão dos graus dos adjectivos, comparativos, superlativos lalala e ela esbarrou num exemplo qualquer.
- Pois é, mãe, às vezes tenho umas falhas cerebrais...

Mais tarde, estava a F ao meu colo, toda melosa (o que até nem é costume), chega a V, deita-se no chão à nossa frente e diz:
- A mãe não é mãe da F...
- Então?
- É minha, xó!

terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Antes que esqueça

Faltei à reunião de notas da F porque ela esteve doente nos dois primeiros dias de aulas. Assim, tive direito a alguns momentos a sós com a professora, em vez da reunião colectiva. Mais do mesmo, nota máxima nas três disciplinas. Se continuar assim vai transitar sem problemas para o 5º ano. Mais do que ver o relatório e as avaliações, gosto de ver o dossier e as provas finais. Gosto de ver como a letra e a ortografia melhoraram imenso. Fico espantada com as capacidades de concentração e raciocínio que as perguntas exigem. Admiro-me por ela saber já tanta coisa. Estão a treinar as provas de aferição, especialmente a gestão do tempo. Sei que está em boas mãos e inserida numa turma muito boa.

Foi a primeira avaliação formal da C. Tem um professor de que quem gosto muito e que já conhecia antes. Disse que o grupo está a ficar muito coeso, que os miúdos que entraram de novo (caso da C) se integraram muito bem. Que são muito indisciplinados, talvez por serem maioritariamente raparigas (!). Que cumpriram bem os objectivos (Muito Bem no caso da C). Notei uma diferença enorme entre a ficha de Novembro, em que sei que se enervou, chorou e bloqueou e a ficha de Dezembro, muito melhor. Fiquei muito contente por a minha carocha se estar a sair tão bem.

Percebe-se que são muito diferentes, não é? É um dos encantos. O que uma tem a 'mais' tem a outra a 'menos'. A fleuma que uma herdou do lado british (e também de mim, confesso) contrasta com os nervos à flor da pele da outra. O que uma tem de falta de sentido de orientação tem a outra em GPS interno. Uma é mais cerebral outra mais física.
O que me reservará o besnico?

sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Mais Curtas

Esta noite a V acordou. Em vez de se deixar ficar na cama e chamar por mim, saiu da cama, acendeu a luz do quarto e veio-me pedir leitinho agarrada a um coelho de peluche quase do tamanho dela.
Como é costume bebeu o leite no sofá da sala e quis lá continuar a dormir.
De manhã estava ferradíssima, e quando a acordei disse zangada: 'Mãe, eu estou a dormir. No sofá!'
A F teve ontem uma sessão informativa sobre sexualidade, dada por uma enfermeira no centro de saúde da zona da escola (mãe de um colega dela). Normalmente a escola organiza estas sessões para as turmas do 4º ano. Os miúdos, previamente, põem as perguntas que querem por escrito.
Lá me foi contando do que falaram, quais as perguntas e às tantas disse 'também falaram daqueles pensos que a mãe usa, (...) e de como as meninas nesses dias ficam stressadas'

quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Curta

Pela primeira vez, desde Setembro, a V caiu da cama. Chamou de noite e fui encontrá-la sentada no chão.
'Caí', disse
Voltei a pô-la na cama e deitei-me ao lado dela. Adormeceu rapidamente.
Às tantas ouço-a dizer claramente 'Eu xou bebé', profundamente adormecida.
Deixei-a e voltei para a minha cama.

segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Fez 3 anos o pinguim benjamim. e ainda ao mesmo tempo.
Teve lanche em casa com primos, tios, padrinhos, avós e alguns amigos. Teve um bolo do Noddy que a fez dar pulos de alegria. Quando o viu cortado fez beicinho... Recebeu alguma roupa de presente, e ainda bem. Gosta de ter roupa nova, e normalmente não tem, embora chame novo a tudo o que vê pela 1ª vez (ainda não percebeu o que são etiquetas...)
Vejo-a despachada como as irmãs não eram. Sei que está mimada como as irmãs não eram. Comilona como as irmãs nunca foram nem serão. Desde o Verão que desistiu da sesta, só na escola é que faz. As irmãs também foram assim. Ainda a penso bebé, e já não é. Por isso me surpreendem tanto algumas das suas saídas, perguntas e afirmações. Já consegue chegar a alguns interruptores. Para chegar aos outros vai buscar um banquinho. Quando vê as irmãs a fazer trabalhos de casa também quer. Depois risca os edredons. As palavras mais frequentes são péraí, tááábeeem e não. Tem uma maneira de gesticular muito latina, o que não condiz nada com cabelo loiro e olhos azuis. Na escola dizem que está sempre a rir.
Adora as irmãs. A mais velha protege-a e ensina-a. A do meio é companheira de brincadeira. Quando está mais embirrenta só deixa a mais velha vesti-la.
Constatei há pouco tempo que quando estão só duas, qualquer que seja a combinação (F+C, F+V ou C+V), a paz reina. Quando estão as 3, pode estalar a discussão. Só uma, fica desasada.

'tá bem...

Moscas bêbedas mudam orientação sexual.

in Meia Hora (diário gratuito) de hoje

quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Entrámos. A correr nos poucos dias que se seguiram ao Natal. A estrear a casa velha-depois-de-6-meses-de-obras. A ver neve pela janela. A deitar tarde e a acordar tardíssimo. A tentar que elas se sintam em férias como nós sentíamos. A regressar cansados. A entrar de chofre na rotina. A lembrar o ano que passou. A fazer planos para o ano que entra. Tenho uma vida cheia, os dias cheios, as horas cheias. Quero mais, do mesmo.