Eu cresci a comer na cozinha. Depois, eu e os meus irmãos passámos para a mesa da sala de jantar. Quem demorava tempo demais acabava o jantar na cozinha.
Quando fui para a minha casa, não havia sala de jantar. Comia com o tabuleiro no colo.
Quando passámos a ser dois também.
E com três idem.
Depois mudámos de casa, e nasceram mais duas filhas.
Durante muito tempo coninuámos a comer no tabuleiro.
As miúdas passaram de comer na cadeirinha a comer na mesa em frente do sofá.
O tempo entre os banhos, o jantar e o arrumar da cozinha era um stress constante.
Acabava muitas vezes por não comer ao mesmo tempo que ninguém, só para conseguir despachar tudo e todos.
E, de repente, tudo mudou.
As mais velhas ficaram grandes demais para comer na mesa em fente do sofá. E só cabem duas.
A pequena deixou de comer mais cedo e de precisar de ajuda.
Desde antes do Verão que o comportamento mudou, mas só agora o sinto já rotina instalada.
Oriento os banhos enquanto pomos a conversa em dia e elas se miram, remiram e tremiram ao espelho. Normalmente deixo o besnico para último.
As mais velhas alternam o pôr e o levantar da mesa, que inclui o jarro da água, os guardanapos em argolas etc.
O pai faz o jantar.
Jantamos à mesa, com o som da televisão muito muito lá ao fundo.
Conversamos, desconversamos, ralhamos, mandamos comer, rimos.
Depois eu espero, normalmente a ver um bocadinho das notícias, que uma delas levante a mesa para ir arrumar a cozinha.
Elas vêem um bocado de televisão com o pai.
Enfim, isto é apenas um registo meu e a 'prova' que as coisas melhoram, o stress do fim de tarde não dura para sempre, pelo menos não nos níveis dos anos anteriores.



