Sem saber bem o que pensar ou que projectos fazer neste turbilhão de notícias, comunicados e perspectivas para o futuro próximo, dei por mim a fazer um paralelo, guardadas as devidas distâncias, com algo que vivi, embora não me lembre totalmente (ou não me tenha apercebido na altura).
Corriam os anos 70. A família, pela primeira vez de visita aos familiares há muitos anos radicados nos EUA, viu-se numa encruzilhada. Ficar, no que parecia ser a terra da abundância e do mel, ou regressar a um país ainda à procura de si próprio, cujo futuro (político e económico) era incerto?
Lembro-me de ouvir conversas para as quais ninguém convidava ou ouvia as crianças. Lembro-me de pensar que seria tão bom ficar. Por causa de coisas que hoje parecem pequenas: a televisão a cores com muitos canais, o MacDonald's, os gelados de pauzinho que se podiam comprar em caixas para comer em casa, as Barbies. Lembro-me de ouvir os familiares a tentar convencer os meus pais que 'lá' é que tinham futuro, para eles e para nós, os filhos. Até já tinham ofertas de emprego.
Voltámos. Ao longo dos anos tenho agradecido terem-no feito. Apostaram nos projectos que estavam a iniciar, no país por cuja liberdade tinham lutado. Lembro-me do leite racionado, do bacalhau vendido 'às escondidas', das faltas disto e daquilo que aconteciam com alguma periodicidade. Lembro-me, lembro-me de tanta coisa. Quero acreditar. Quero que as minhas filhas olhem para trás, daqui a 30 anos, e sintam que houve um 'antes' e um 'depois' tal como eu sinto.
1 comments:
Hope so, Cool. Deeply hope so!
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